Escola Felipe Schmidt continua em obras e sem um destino definido

São Francisco do Sul é selecionada para programa de investimento do Ministério do Turismo
12 de junho de 2018
Águas de São Francisco do Sul adquire nova bomba da água
13 de junho de 2018

Jornalista: Júlia Vieira

Fotos: Júlia Vieira e Portal da Transparência SC

Desde janeiro de 2015, a Escola de Educação Básica Felipe Schmidt, que neste ano comemora o centenário, passa por reformas, restauros, ampliações e a construção de um novo ginásio de esportes. Porém, em 2018, após aditivos de prazo e de valor e alguns percalços, a escola ainda está inacabada e os objetivos para utilização do prédio histórico também são nebulosos.

Pelo menos 784 alunos frequentavam o Felipe no ano passado até o fechamento, segundo o Conselho Deliberativo da escola. Os estudantes, no entanto, foram separados e realocados para as escolas que moravam próximos. Apenas duas salas permanecem como Felipe Schmidt, conforme o Conselho: as turmas de oitavo e nono ano que estão em salas emprestadas na Escola de Educação Básica Santa Catarina, cerca de 30 estudantes.

Sthefany Zauza, com 17 anos, está no último ano do Ensino Médio no Santa e é uma das alunas que foram realocadas do Felipe. A notícia do fechamento chegou a ela através de rumores na escola e depois por uma professora próxima. “Lembro que surgiu diversos porquês do fechamento, um deles é que era muito próximo de um colégio estadual, outro que estava dando muitos gastos com a reforma. Enfim mil e um motivos, e nenhum concreto”, conta. A estudante relata que a mãe com medo de que a filha ficasse sem vaga para estudar, transferiu ela já no mês de novembro para o Santa Catarina.

Os estudantes não ficaram passivos diante da situação, desde 2016 fizeram manifestações na cidade e foram junto com o Conselho a Florianópolis e Joinville pedir aos órgãos públicos a continuação das aulas na escola. Sthefany participou de duas dessas manifestações e hoje sente saudades, além da mágoa por não ter sido ouvida. Mesmo frequentando o Santa, ela ainda utiliza o uniforme do Felipe para ir a aula todos os dias.

Esse sentimento de mágoa e impotência diante dos órgãos públicos também assola André Luciano da Silva, presidente do Conselho Deliberativo, que vê o próprio filho, também realocado, não querer ir à escola nova. André explica que a pior parte das obras do Felipe foi feita com os alunos estudando lá e que quando os alunos foram realocados para o Santa, encontraram mais obras. “Se você tivesse visto o Santa Catarina como estava e o Felipe como estava, o Felipe Schmidt estava muito mais apto a receber os alunos do que ali”, explica.

As obras no Santa Catarina  estão em andamento, mas Jucélio de Carvalho, diretor do colégio, fala que são apenas de manutenção e que não atrapalham o funcionamento da escola. “Muito pelo contrário, a gente agradece né, esse olhar que tiveram pela nossa escola. Foi uma das metas que a gente já conseguiu atingir que era a cobertura do telhado, a parte de forração e a parte elétrica”, afirma Jucélio sobre a meta atingida do seu plano de gestão.

A promessa não cumprida

O Conselho e os alunos da escola foram até diversas lideranças para tentar mobilizar os órgãos em favor a permanência dos estudantes no Felipe. A Alesc, o Sinte, a Secretaria do Estado de Educação, a Agência de Desenvolvimento Regional de Joinville, a Prefeitura da cidade, foram algumas das autoridades que visitaram, mesmo assim o governo não se comoveu e fechou o Felipe.

André explica que o chefe do gabinete da Secretaria de Eduardo Deschamps, na época em que foram para Florianópolis, mostrou aos presentes que a escola não estava na lista de fechamento do Programa de Ordenamento Escolar. O prefeito Renato Gama Lobo também tinha negado que utilizaria o prédio para ser um futuro Multiuso. A boa notícia, porém, durou pouco tempo. “A gente saiu de lá de Florianópolis com uma carta dizendo que não ia fechar, que não estava na listagem de fechamento o Felipe, e foi mentira, fechou. Então foi um golpe muito sério”, conta Rosane Bonaparte, mãe de uma aluna também realocada.

Para Rosane a falta de conscientização e apoio da população para o que estava acontecendo contribuiu com essa situação. “Tem pai falando, e dai, vai fechar, e daí, a gente muda de escola, e daí. Sabe essa coisa simplista? Espera aí, vai fechar por quê? Como assim vai fechar? Eu não vi isso, eu vi de pouca gente, levando em conta a população que existe aqui”, reclama.

Empreiteira tem contrato rescindido antes da conclusão da obra

As obras que estão há mais de três anos em andamento foram dividas entre duas empreiteiras: a Sifra Construtora e Incorporadora Ltda estaria responsável pelos prédios da escola com um orçamento inicial de quase R$ 2,3 milhões e a Salver Construtora e Incorporadora Ltda pela construção do ginásio coberto, cotado inicialmente em R$ 553 mil.

Durante todo o cronograma da obra, a Sifra teve três aditivos de prazo aprovados e a Salver teve seis aditivos. Em 2016, a Sifra tem o contrato rescindido com a Secretaria do Estado da Educação. Segundo um ofício do então Secretário do Estado da Educação, Eduardo Deschamps, enviado a Câmara de Vereadores do município no início deste ano, a empresa passava por dificuldades para concluir a obra e o contrato foi extinto. “Assim sendo, será necessário realizar novo processo licitatório para contratar a nova empresa, que deverá concluir a reforma e a restauração do imóvel”.

Até o momento nenhuma empresa assumiu as obras da Sifra. O valor final do que foi executado do contrato ficou em R$ 1.932.227,63. Já o contrato da Salver teve um aditivo de cerca de 136 mil, e o último prazo para conclusão da obra está previsto para o dia 9 do próximo mês.

A Agência de Desenvolvimento Regional de Joinville explica, por meio de nota, que “conforme informado no dia 30 de novembro do ano passado, pela Gerência Regional de Educação (Gered) de Joinville, todos os alunos do ensino médio da Escola de Educação Básica Felipe Schmidt, em São Francisco do Sul, foram matriculados na EEB Santa Catarina, no Centro. Os estudantes do ensino fundamental que frequentavam a EEB Felipe Schmidt, no Centro, também poderiam ser matriculados no mesmo colégio, no entanto, as aulas do ano letivo de 2018 também realizadas na sede da EEB Santa Catarina. Naquela oportunidade, um levantamento apresentado pela direção comprovava que havia menos de 50 alunos do fundamental que buscavam vagas na EEB Felipe Schmidt. A maioria optou por estudar em unidade mais próxima de sua casa e, até mesmo, vinculadas a rede municipal. Vale ressaltar, de que a legislação prevê, gradativamente, a municipalização completa do ensino fundamental ficando somente o ensino médio com os governos estaduais.

As mudanças se devem as obras de reforma e restauração executadas pelo Governo do Estado por meio da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Joinville na EEB Felipe Schmidt. No terreno ao lado da unidade, está sendo edificada uma quadra coberta. Pelo fato de não poder conciliar a obra com as aulas, os estudantes foram transferidos para a EEB Santa Catarina. Também é importante destacar que a EEB Santa Catarina recebeu melhorias: troca de todo o telhado e nova instalação elétrica. Quanto à rescisão do contrato com a empresa que realizava as obras de restauro e reforma se deve ao fato da mesma ter perdido as certidões negativas de débito no decorrer do andamento do contrato. Com isso, os serviços começaram atrasar, razão pela qual o Estado teve a necessidade de rescindir o contrato. Um novo processo de licitação será realizado pela ADR Joinville para a conclusão da obra. Quanto ao uso do prédio no futuro, depois de o restauro ser concluído, ainda vai depender de uma avaliação.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *