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Dia do Trabalhador

A arte sustentável da banana

Descubra a história da artesã que transformou a fibra de banana em uma oportunidade de negócio sustentável

Júlia Vieira
Foto: Júlia Vieira/Jornal Correio Francisquense

Ana Cláudia da Silva, 44 anos, começou desde muito nova no artesanato. Na época, os trabalhos manuais eram a oportunidade de complementar a renda da família e ficar próxima dos seus três filhos, fazendo o que gostava. Com uma separação, veio a reponsabilidade de sustentá-los com o artesanato, e trabalhou dia e noite para que isso fosse possível.

Hoje, Ana Banana, como é conhecida pelo nome de sua empresa, se especializou em extração de fibra de banana e artesanato com a matéria-prima e tem 25 clientes não só no Brasil, como no exterior, em Nova York. Ela faz cordas, mantas, cestarias com a fibra e manda para parceiros que utilizam para bolsas, sapatos, alforges de bicicleta, tapetes, entre outros. Além disso faz seus próprios artesanatos como caixinhas e colares com a fibra.

A artesã descobriu o que poderia fazer com o caule da bananeira através da Epagri. Fez um curso de extração, em Schroeder, onde aprendeu que a bananeira só dá uma vez o cacho com a fruta. Parte da planta pode servir de adubo, porém atrai muitos maruins para região.

Assim, com uma ideia sustentável, os bananicultores fazem parceria com pessoas capacitadas na extração, que utilizam da matéria-prima para diversas utilidades. "O caule tem cinco tipos de fibra: uma fibra bem grossa que a gente chama de capa; uma que parece uma renda mesmo, favinha de mel, que é o que eu faço os calçados; a seda que é quase como se fosse um papiro, que é a que faço as decopagens aqui; e aí eu tenho na lateralzinha dela o filé e o contra-filé esses eu uso para fazer corda. Todas essas matérias-primas eu vendo para clientes e trabalho com elas pra mim", explica.

A demanda é tão grande, que ela evita divulgar muito o seu trabalho, devido a falta de mão-de-obra para dar conta de tudo. A empresa, desde a parte administrativa, o trabalho manual, até a parte comercial, é feita por Ana. "O maior problema na minha área aqui é arrumar um grupo de extração para trabalhar comigo, porque hoje eu trabalho sozinha na parte de extração", conta.

A produção de Ana é de segunda-a-segunda. Na temporada, trabalha mais com os outros tipos de artesanato em crochê, pinha e concha vendendo no quiosque do Centro Histórico. Fora da temporada se dedica a fibra de banana. O processo com a fibra é demorado, leva de três a quatro dias, em dias de sol, para extração do caule, depois é preciso fatiá-lo para separar as fibras e colocá-las para secar. A moradora do Paulas tem seu próprio galpão em casa para fazer os trabalhos, mas pensa, no futuro, ter um local para capacitar e elaborar esse trabalho na Vila da Glória, onde existem plantações de Banana.

A desvalorização

Ana chama atenção para desvalorização do artesanato pelo poder público, turistas e comunidade. Para ela, falta a sensibilidade do poder público enxergar os artesãos e também promover capacitações. "Enquanto paixão é um trabalho que dignifica a pessoa, é um ofício, não é por terapia, não é para passar tempo, não é nada disso. É um trabalho como outro qualquer, uma profissão que hoje não é vista, que não é levada em consideração. Quanto ao poder público eu me sinto um lixo, porque as pessoas ficam jogando você de um lado para outro, elas não te oferecem a possibilidade de trabalho. Eu ganho dinheiro, eu gasto no meu município, portanto eu existo. Quanto ao cliente, o cliente infelizmente não é culpado pela falta de informação sobre o que é artesanato, que já foi uma cultura muito elevadíssima", critica.


Imagens

Foto: Júlia Vieira/Jornal Correio Francisquense
Foto: Júlia Vieira/Jornal Correio Francisquense
Foto: Júlia Vieira/Jornal Correio Francisquense
Foto: Júlia Vieira/Jornal Correio Francisquense



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