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Meio Ambiente

Projeto de Lei em trâmite incentiva a criação de abelhas e produção de mel em São Francisco do Sul

Júlia Vieira

Um das últimas discussões que passaram por sessão da Câmara de Vereadores de São Francisco do Sul, antes do recesso, foi à criação de uma Semana Municipal da Apicultura e Meliponicultura. Você sabia que há criadores de abelhas e produção de mel em São Francisco do Sul? E sobre a criação de abelhas nativas sem ferrão que pode ser feita por qualquer pessoa em casa? Passe a conhecer mais sobre esse universo complexo e incrível das abelhas e como você pode ajudar a preservar essa espécie tão importante para o planeta.

São Francisco do Sul tem quase vinte criadores de abelhas com e sem ferrão. A maioria dos criadores de abelhas com ferrão na cidade são associados a Associação dos Apicultores de Joinville (Apiville), arrendam uma parte de área no município que contém mais de 1.200 caixas abelhas com ferrão. Porém, o mel é só extraído daqui e é processado em Joinville para venda. "Então ele não sai nada como São Francisco. Hoje se pegar nota de São Francisco do Sul, não vende mel. Enquanto a gente sabe que é mais de 12 toneladas que é produzido nas nossas florestas e com as nossas floradas", conta o extensionista da Epagri São Francisco do Sul, Cláudio Sousa.

Já as abelhas sem ferrão, nativas do Brasil, são cerca de sete produtores na cidade. O meliponicultor Ramon Viana conheceu essa espécie de abelhas por acaso, na entrada de um galpão da propriedade do seu pai, Jair Medeiros, no Iperoba. Foi pesquisar mais sobre o inseto que se mantinha em um lugar nada propício, em um troco que era utilizado como passagem para o carro. Com dó daquele animal e estudando mais sobre o assunto, descobriu que se tratava da espécie Jataí e conseguiu retirar a colmeia do tronco e colocar em uma caixa específica para criação.

Essa foi iniciativa para que o local se tornasse algo muito maior: o meliponário Airetama. "Então a gente decidiu criar esse meliponário, eu e meu pai. Em que nomeamos ele de Airetama, que vem do tupi-guarani, quer dizer Casa das Abelhas. Um nome bem original, que a gente colocou inclusive para homenagear o povo tupi-guarani, que há muitas décadas, muitos anos, já criava essas abelhas que as pessoas chamam de abelhas indígenas sem ferrão", relata Viana.

Segundo Claudio Souza, as abelhas nativas são as primeiras que existiram no Brasil até 1874. A partir desse ano vieram, com os primeiros imigrantes, as abelhas com ferrão, chamadas pelo nome científico de apis. Mas abelhas brasileiras não oferecem nenhum tipo de risco na sua criação e precisam ser preservadas. "Ela não possui nenhum tipo de agressividade para as pessoas. Ou seja, você pode criar na sua casa, tendo crianças, animais, sem problema algum. Então isso vem sendo muito difundido e divulgado porque ela é responsável pela polinização de mais de 80% da mata nativa brasileira", alerta o meliponicultor Viana.

A criação dessa abelha é simples, conforme explica o especialista. São mais de 300 espécies de abelhas nativas que podem ser criadas em caixas racionais - caixas feitas próprias para cada espécie, no tamanho e na medida. Ali ela se desenvolve e produz alguns produtos medicinais, como o mel e a própolis.

Mas a produção não é abundante. Normalmente uma colmeia da espécie abelhas Jataí, por exemplo, produz um quilo de mel por ano. O mel é extremamente medicinal. "A produção de mel não é comercializada [aqui]. Eles usam então para consumo de família ou alguma criança que tem algum problema. Como é considerado medicinal, eles fazem essa doação", conta o extensionista Cláudio.

O Projeto

O projeto de lei 43/2019, de autoria do vereador Odair Carvalho (PSD), já passou pela primeira discussão, com aprovação de todos os vereadores presentes em sessão. Agora ele deverá passar pela segunda discussão e votação. Viana explica que uma semana dedicada a Apicultura e Meliponicultura poderá fomentar o segmento no município:

"As pessoas começam a conhecer e a saber a importância que essa abelha tem para o meio ambiente. Então durante essa semana com certeza vão ser feitas palestras, apresentação de produtos, explicação de como criar. Outra grande importância é que as pessoas vão começar a poder ampliar a sua produção e deixar de ser uma produção caseira, em que a gente só produz o mel para vizinhos e consumo próprio. E a gente pode já estar pensando em uma produção para venda de mel dessas abelhas, de própolis e outros produtos delas", afirma.

Spathodea

Outro projeto de autoria do vereador e a proibição de produção de mudas e o plantio da Spathodea Campanulata, conhecida também por Tulipeira Africana e Bisnagueira. A planta bonita, de flores laranjas e vermelhas, encontradas na SC-415, Paulas, Miranda e Ervino, são extremamente tóxicas para animais que visitam as flores. "O problema dela é que o néctar é tóxico, tanto para as abelhas como para beija-flor, para o morcego. Então todos os animais que visitam flores e ajudam na polinização, todas as abelhas a hora que visitarem essa planta, vão morrer", diz Claúdio.


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