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Meio Ambiente

Secretaria do Meio Ambiente fomenta projetos de educação ambiental em São Francisco do Sul

05 Junho 2019 14:21:00

Por meio de recursos liberados pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente, oito projetos ambientais foram selecionados para receber o valor de R$ 150 mil

Júlia Vieira
Foto: Júlia Vieira/ Jornal Correio Francisquense

Pela terceira vez, a Secretaria do Meio Ambiente abriu edital para liberar recursos, por meio do Conselho Municipal do Meio ambiente, incentivando projetos educacionais que abordem a preservação e desenvolvimento sustentável.

Neste ano, o valor investido em projetos aumentou de R$ 100 mil para R$ 150 mil, contemplando também um maior número de iniciativas. O Correio Francisquense aproveitou a Semana do Meio Ambiente para conhecer quatro, dos oito projetos que foram selecionados para receber o auxílio. Conheça as ideias inovadoras que surgiram de escolas e entidade francisquense nesse processo:

Jardim sensorial

Um espaço onde desperte os cinco sentidos utilizando materiais recicláveis e elementos da natureza foi à ideia de Susan Musse, fisioterapeuta do Lar dos Idosos, para o projeto contemplado pelo edital da Secretaria do Meio Ambiente.

Susan já visitou um Jardim Sensorial em um hotel e trouxe essa experiência para dentro da entidade, que diferente do que é normalmente esperado para esses espaços, será adaptado para os idosos, sendo evitada a venda, nestes casos, enquanto eles caminham pelo circuito. "Nós vamos ter duas situações: com o idoso, sem vendar os olhos, porque para eles é um pouco mais difícil essa coisa de não saber onde estão pisando; e a comunidade, que nós vamos abrir o espaço para comunidade também, aí será de olhos vendados", explica.

O caminho por onde os visitantes e idosos irão passar terá vasos coloridos, feitos de pneus recicláveis, com plantas para o toque e cheiro; folhas secas e pedras de rio para o tato; fonte de água para despertar a audição e as lembranças de água correndo; sinos dos ventos, feitos de diferentes materiais, para ouvir o som; a degustação de um chá para remeter as memórias de infância ou a lembrança de fazer a bebida para os netos; e, no final, tira-se a venda, no caso dos idosos, eles apenas se viram, para desfrutar da visão de flores coloridas.

Os idosos, além de visitar, farão parte também da montagem, adaptação e manutenção do Jardim.

Depois do processo de inauguração do espaço, vai ser aberto para visitação da comunidade, em um dia da semana, para grupos de 25 a 30 pessoas. Nós demais dias, esse espaço será usado exclusivamente para os idosos. Susan fará acompanhamento de cada visita para garantir a experiência e o conhecimento do espaço.

Monitoramento em Tempo Real da Qualidade da Água

O Instituto Federal Catarinense de São Francisco do Sul, através do professor responsável Lucas Knebel Centenaro, traz uma ideia inovadora para o município: a construção de um equipamento que monitora em tempo real a qualidade da água na Baía da Babitonga. O projeto surgiu a partir de relatos de alunos do Instituto e populares da comunidade sobre os banhos nas águas da Baía, em que as pessoas reclamavam do odor característico de poluição vindo de vários pontos.

Por meio desses relatos, o professor e equipe elaboraram estudos e encontraram um projeto que seria referência para o equipamento hoje montado pelo IFC: o Mãe D'agua, que é aplicado em cidades e comunidades ribeirinhas na Amazônia - o primeiro desse tipo no Brasil com estudos já bem avançados em relação ao monitoramento.

Assim foi definido que o equipamento na cidade avaliará não só a balneabilidade, mas também a qualidade da água para que se consiga fazer o tratamento dela de forma mais otimizada pela empresa Águas de São Francisco do Sul. Lembrando que os dados estarão acessíveis a todos. "O banhista chega na praia e ele poderá pegar o celular e, em tempo real, verificar se água ali no local tem uma qualidade no quesito balneabilidade", explica.

O protótipo será envolvido por uma boia aquática e ficará de 10 a 20 metros da margem da Baía transmitindo os dados sobre a água naquele ponto. Os dados coletados, baseados em parâmetros da Agência Nacional de Águas (como temperatura da água, PH, turbidez, quantidade de oxigênio e até mesmo se está própria para consumo humano), serão transmitidos, via sinal de celular, para um servidor localizado no Instituto. Esse servidor disponibilizará as informações para um website e aplicativo mobile.

Os recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente vieram em boa hora para o projeto que já estava sendo trabalhado antes mesmo do lançamento do edital. "O Instituto Federal, querendo ou não, é criado para seguir o norte de trazer uma evolução tecnológica para a região e o município. Então nós, como Instituição Federal, quando a gente enxerga esse fomento, a gente tenta o máximo possível buscar esses recursos, para elaborar esses projetos internamente e para trazer certo conforto e confiabilidade para a população local e regional", conta o professor Lucas.

Com oito pessoas envolvidas na pesquisa do equipamento - sendo quatro estudantes e quatro professores - o protótipo deverá ficar pronto no período de um ano. Para o futuro, com o êxito do projeto, o professor Lucas pensa em construir mais protótipos e aumentar a área de atuação no município, ampliando para a região das praias na cidade.

Escola Estadual Nicola Baptista é contemplada em três projetos

A escola estadual Professor Nicola Baptista teve três projetos contemplados com os recursos do Fundo. A Aquaponia, uma alternativa sustentável, elaborado pela professora de Física, Tiane Agnes Schmitt; a Horta Escolar e Compostagem: da preservação do meio ambiente ao estimulo de hábitos saudáveis, criado pela professora de Geografia, Daiane Caroline Ferraz; e o Aquecedor Solar produzido a partir de materiais recicláveis, uma ferramenta educacional, pelo professor de Química e Física, Filipe Antunes. O Correio Francisquense conversou com as professoras Tiane e Daiane para saber mais sobre os projetos elaborados na escola.

Os projetos surgiram a partir de uma capacitação que ocorreu pela Secretaria do Meio Ambiente nas escolas. Devido a isso, Tiane pensou em criar um protótipo de Aquaponia, um sistema de cultivo que mistura aquicultura com hidroponia, e Daine uma horta escolar que trabalhasse a separação dos resíduos, aproveitando os orgânicos, e incentivando a alimentação saudável. Algumas mudas plantadas na horta escolar a partir da compostagem de orgânicos são replantadas nos canos do sistema de Aquaponia. Essas plantas passam a ser supridas pelos nutrientes das excreções das Tilápias através de um sistema de canos.

"Um projeto está ligado ao outro para que a gente desenvolva no aluno essa questão da sustentabilidade", afirma Tiane. "A ideia principal é que os alunos possam colocar isso em prática, no seu dia-a-dia, nas suas casas. Acredito que a separação do lixo, dos orgânicos, que geralmente vão parar nos aterros e são desperdiçados, os alunos aprendem que pode virar um adubo e contribui com uma nutrição mais saudável", complementa Daiane.

O diretor da escola e ex-secretário municipal da Educação, Marcos Jerônimo de Araújo, não esconde a felicidade de dirigir uma instituição de ensino que promove a criação de projetos para educação e sustentabilidade. "Trabalhar na escola Nicola Baptista é excelente, primeiro pela qualidade dos nossos professores, é uma escola que vive de projetos. Hoje, nós estamos com a Feira de Matemática, estávamos agora pouco negociando também uma atividade para ser feita em agosto de Ciências Humanas, Ciências Físicas e Biológicas. E a escola vive em cima disso, tanto é que os professores não dão conta de tanto projeto, de tanta atividade", comenta.

Imagens

Foto: Júlia Vieira/ Jornal Correio Francisquense
Foto: Júlia Vieira/Jornal Correio Francisquense
Foto: Júlia Vieira/Jornal Correio Francisquense



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