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Política

Prefeito Renato fala sobre política, acertos e erros nos 4 anos frente à prefeitura

Faltando 8 dias para terminar o mandato Renato Gama Lobo (sem partido) conta aos leitores (na edição impressa do dia 23.12) um pouco sobre como a política francisquense influencia a população e o que fez para deixar a cidade mais bonita nesses quatro anos junto com as contas públicas alinhadas para a nova gestão continuar a fazer o que deve ser feito: uma gestão de austeridade e transparência. Renato fala com propriedade dessas duas diretrizes porque, segundo ele, foi com este olhar que conseguiu realizar seus projetos e colocar as contas em dia e, ainda, dar segurança jurídica para fornecedores com pagamentos nos prazos e aos empresários a garantia para investimentos na cidade.

Renato conta que sua gestão foi de muito trabalho e realizações. "Quando entrei, tinha muito resto que ficaram da outra gestão. A prefeitura não tinha certidões. Saímos do negativo ao zero e depois seguimos. Estudamos muito a forma como fazer, por onde começar.   

Começamos renegociando as dívidas para ficaram em um prazo que pudéssemos pagar dentro de um mandato, porque já falava que não queria a reeleição. Com isso o Tribunal de Contas aceitou. Foi assim que a gente fez, com o acordo, com o cronograma de pagamento e, dentro do nosso caixa, fomos pagando. Foi um trabalho árduo. Inclusive vamos pagar o último compromisso agora fim do mês. Será para a Empresa Ambiental quase um milhão de reais, além do que a gente paga normalmente dentro do contrato.

São pouquíssimas prefeituras no país que captam recursos próprios e tem capacidade de investimento. E a nossa prefeitura não tinha, nem com recursos próprios, pois tinha conta que ficou para trás, e também não podia captar porque não tinha certidão. Os Bancos de Fomento exigem do poder público austeridade fiscal e comprovadamente um planejamento de 'poder de pagamento'. A gente não tinha nada disso.

Hoje a prefeitura não está com dividas. A dívida de custeio é zero. Nós exoneraremos os cargos comissionados e se ficar será um resquício muito pequeno. Esperávamos deixar 20 a 30 milhões de reais no caixa se não fosse a Pandemia, mas infelizmente esse sonho não consegui realizar.

Vamos deixar a prefeitura com um parque de máquinas novo, muitas ruas pavimentadas e escolas municipais reformadas, (90 % da obra da Escola Municipal João Germano no bairro Iperoba entregue). Não inaugurei obras. Procurei apresentar com lives pelas redes sociais nossos projetos de forma simples, fácil e barata, sem custos com palanques.

Maior aprendizado

Sidarta Gautama dizia que a maior virtude do ser humano é a tolerância. Aprendi a ser tolerante. Aprendi a escutar mais, falar menos, a entender os anseios das pessoas. Aprendi também que tem muita gente que pensa em si próprio, não pensa num todo, num conjunto. Aprendi enxergar essas pessoas, antes eu não enxergava. Aprendi a dizer não e sim na hora certa.

Não mudei muito o que eu era, mais saí transformado. Continuo usando o chinelo havaiana que sempre usava, o mesmo short para sair na rua. Visito os mesmos lugares. Não mudei meu comportamento como ser humano, mas uma coisa é certa, eu saio da vida pública mais calejado, mais humano. Dentro do 'poder público' a gente enxerga muita coisa ruim, existe infelizmente muita inveja do poder, que acho ser efêmero.

- Quando Cesar entrava em Roma vindo das suas conquistas, vinha atrás um serviçal com a constituição aberta distante dois passos atrás. Volte e meia as pessoas jogavam flores e diziam 'Cesar O Grande'. E o serviçal sussurrava no ouvido de Cesar: não te esquece o poder é efêmero. E assim Cesar se conscientizava. Andava mais dez, vinte passos, o serviçal dizia: Cesar acorda o Poder é efêmero.

Eu sempre levei isso comigo, nunca tive como poder a prefeitura, com uma arrogância. Sempre tratei as pessoas bem. Aqueles que foram de alguma forma maltratados, foi porque maltrataram o poder público, maltrataram o que é do povo e eu tratava-os com o devido rigor. Mas na grande maioria eu sempre tratei bem as pessoas.

Mensagem aos francisquense sobre a gestão

Digo aos francisquenses que nestes 4 anos tenho a convicção que eu joguei uma semente boa na terra. Que a população possa lá na frente ter consciência que a gente colocou à disposição da população. Que é possível construir com lisura e transparência. Eu me esmerei muito através das prefeituras nos bairros de empoderar o cidadão para que ele pudesse vir a prefeitura conhecer a gestão pública e saber a forma que a gente transforma o recurso que é gerado por ele cidadão.

Frustração

Eu tenho uma frustração quanto a busca da transparência da gestão pública. Eu como guardião do erário público percebi que todos os candidatos, sem exceção, estavam nas ruas prometendo com uma varinha de condão na mão e guardado na sua casa a lâmpada mágica. Ou seja, dava soluções no plano de governo impossíveis de se realizar. Em nenhum momento, durante a campanha política eu desfiz a fala desses mentirosos. Não é possível fazer tudo aquilo que eles prometiam.

Eles não se ateram as informações que nós colocamos abertamente a população e a eles como pretensos prefeitos da cidade. Na forma como foi colocado nas ruas, não haveria austeridade fiscal para fiscalizar o que estavam a prometer a população. Isso me deixou frustrado devido todo esforço de trazer a população, empoderar como cidadão para que ele conhecesse a realidade das contas públicas.

Ninguém foi lá na página da prefeitura de Contas Abertas. Todos os meses a gente colocava a disposição da população o que entrava e saia do cofre público. Despesa e receita para que a população pudesse saber o que a gente estava fazendo com o dinheiro público. Mas ao contrário, os candidatos fizeram diferente, prometerem aquilo que não era possível realizar, só para enganar a população. Em busca do voto.

O que o francisquense deve fazer nesses próximos quatro anos.

O francisquense, o povo em geral, deve cobrar de seu governante a transparência, o que ele faz com o dinheiro público. Muitas vezes o governante fala bonito e faz feio. Eu acho que o povo tem que cobrar através das mídias sociais.

Existe uma ferramenta onde mais de 150 prefeituras do país utilizam - o Observatório Social, onde no início da nossa gestão foi instalado aqui no município. Para justamente fazer o papel que Câmara de Vereadores deveria fazer com mais intensidade. Não só fiscalizar e sim buscar entender cada processo e ver onde está sendo destinado o dinheiro público.

É um órgão, sem partido e sem cor e ele dá essa transparência de fiscalização que o executivo faz. Hoje temos e essa é uma ferramenta que a população pode acessar. Ele precisa de ajuda de profissionais do direito, da área financeira para poder para fiscalizar. O cidadão tem poder. O Cidadão tem sim o direito de entrar na prefeitura e saber o que o prefeito está fazendo com o dinheiro público. Isso eu tentei dar a população, não só através do Observatório Social, o cidadão emponderado com conhecimento fiscalizar os atos do executivo. Percebi que muita gente não deu valor a isso.

Importância das políticas públicas

Antes eu respondia de uma forma, mas hoje com mais maturidade vejo que boas políticas públicas atingem mais pessoas. Antes eu fazia minhas ações de políticas públicas isoladamente. Mas na posição de prefeito você consegue abraçar mais pessoas com políticas públicas decentes.

Como exemplo fizemos políticas de incentivo ambiental nas escolas através da Secretaria de Meio Ambiente de como tratar os resíduos e dar destinação aos sólidos e líquidos. Essa conscientização nós começamos nas escolas, e isso é política pública que vê resultados lá na frente.

A resistência de aceitar um gestor empresário.

Essa visão empresarial atrapalhou para os olhos daquele que não fez nada na vida, nunca produziu nada. Para esses atrapalha. É de se pensar: o cara doa salário, não usa o carro da prefeitura, não precisou de segurança, de motorista. A pergunta era, o que ele foi fazer lá. Eu fui por uma única causa: servir a população. Assim como eu servi a pátria amada estando no exército.

Vivemos em um país democrático, de fato e de direito, muitos não gostavam da nossa eleição. Mas ainda acho que não era gostar ou não, e sim da forma como se faz, então sei que tem muitos trabalhadores que desconfiam do Renato como empresário, do que eu tenho adquirido nesses longos anos. Eu trabalhei. E assim como eu fiz para mim eu fiz esses 4 anos na prefeitura, trabalhei e não levei nada, nem um litro de gasolina.

Reconhecimento

Eu nunca espero reconhecimento por nada que fiz, por nada que construí. Triste o homem que espera reconhecimento das ações mesmo sendo positivas, eu só peço a Deus saúde. O que é mais importante é minha consciência tranquila e da minha família. Eles sabem do esforço que eu fiz para realizar, da forma que eu fiz, isso que me interessa, o resto está na rua, as pessoas que façam seu julgamento. Tenho a sensação de missão cumprida. Saio pela porta da frente.

Mensagem ao prefeito eleito

Que ele governe com a austeridade fiscal e a mesma transparência que nós governamos. Que ele dê essa oportunidade a população. Que tenha saúde. E agora com o início da vacina vai ser melhor para impulsionar a gestão e abrandar bastante a vida do cidadão. Que possa acima de tudo entregar e realizar tudo aquilo que ele prometeu à população. O que ele falou é bom para a população e sendo bom ele tem que realizar.

Reeleição

Desde o primeiro momento deixei claro que não iria para a reeleição, então não houve incoerência do partido. Se houve incoerência foi de minha parte no último minuto ter me colocado à disposição do pleito. Sempre deixei muito claro. Só que as pessoas que estavam próximas a mim não acreditavam. Diziam que a política é uma cachaça e quem entra não sai mais. Mas eu sempre afirmei que a política tem duas portas - a de entrada e a de saída. Não digo que não irei novamente, o futuro a Deus pertence.

Quando resolvi participar do pleito, foi num momento de fragilidade por conta da perseguição e injustiça no qual foi acometido desde o primeiro dia de gestão. Fui muito mais movido pelas pessoas que estavam próximas de mim. O partido queria que eu fosse candidato, muito o presidente insistiu se eu tinha certeza de não ser candidato, e eu dizia que não era.

Eu mudei no momento da pressão, mas sabia que a convenção já estava definida. Mas queriam que eu tentasse. Eu não me frustrei. Foi uma forma para mostrar à população que eu não estava virando as costas. Ouvia muito isso. Eu cedi a pressão naquele momento.

O tempo e as ações não são 100% exatas. No mês de fevereiro, em entrevista no Rádio São Francisco programa do Sared sobre o meu afastamento da prefeitura que culminou na minha absolvição de 7X0 foi a verdade que venceu a mentira, disse que tudo o que estava acontecendo parecia estarem tocando a música para dançar de novo.

Mas no momento fui movido por um sentimento. Você entra na política pelos amigos, e não sai da política pelos inimigos. Eu fiz uma reflexão. Eu não posso sucumbir e ir contra a minha vontade, meu sentimento, de tudo que eu falei até aqui. E agora por um sentimento ruim, movido muito mais por essa situação, essa perseguição mudar.

Não candidato

Não ser candidato a reeleição tem a ver com o que acredito. Sou contra a reeleição da forma como ela é colocada. Sou a favor de um mandato de cinco anos. Dois mandatos para vereadores, deputados estaduais e federal. Isso, para que a política não vire uma profissão. É assim hoje porque são os políticos que constroem as leis e por isso que não existe alternância.

Pandemia

Eu joguei uma semente na terra. Não vou dizer que não fiquei em dúvida em continuar por conta desses projetos inacabados. A pandemia atrapalhou muito e neste ano não consegui dar celeridade às obras, aos projetos por conta da arrecadação que caiu. A Pandemia me deu essa insegurança. Tirou tudo dos eixos, todo nosso planejamento de nosso governo, e muitas coisas eu me frustrei. Queria estar inaugurando a obra do Ervino e não consegui porque o governo federal não destinou a verba que era acoplada a obra. Não veio, e ainda disseram que fazer obra de turismo não devia em meio a Pandemia. Isso tudo afetou nosso plano de governo e nossa finalização.

Eleição

Vou falar não do MDB em si e sim do candidato eleito Godofredo. O Godofredo correu a 5 eleições, duas pelos MDB e 3 por outros partidos. As duas últimas eleições foram pelo MDB.

O MDB sem dúvida é o mais forte nas famílias francisquenses junto com o PP. Nós temos duas correntes ideológicas muito claras dentro de São Francisco do Sul. Como se fosse religião para estas pessoas.

No meu ponto de vista, nenhum dos partidos que aí estão representam as aspirações do povo brasileiro. Nenhum deles. Há uma cartilha maravilhosa prometendo que o amanhã será um paraíso. E todos eles, por onde passaram, um ou outro, tem um pecado cometido. Do desvio do dinheiro público, da improbidade administrativa dentro da administração pública. Então tanto MDB quanto PP, que hoje são as correntes ideológicas que decidem as eleições em São Francisco do Sul, não representam a vontade da população francisquense. Mas uma coisa é fato, eles têm militância. E o MDB tinha na sua estrutura um candidato que tentou a eleição 5 vezes. Eles estavam com o nome massificado em todos os pontos da cidade e que, segundo população, ele foi honesto. Ele governou vinte anos atrás quando a população era 15 ou 20 mil habitantes e hoje vivem na cidade quase 60 mil pessoas. Então muita coisa mudou. Na época dele não tinha lei de responsabilidade fiscal, não tínhamos a Rede Social e o advento da Internet.

Influência política

Não olho no retrovisor. Não critiquei a gestão do Zera e sim como estavam as contas públicas. Muito provavelmente a situação do país também não tenha estava muito fácil para o Zera governar. Talvez ele não tenha feito o que eu fiz para poder equilibrar as contas públicas. Ou não teve vontade política ou não teve gente com conhecimento disposto ajudá-lo a fazer. Eu graças a Deus tive vontade de fazer e gente capacitado.

Escolha candidato Gabriel

Ter escolhido o Gabriel foi porque eu achava que ele era o melhor preparado para governar a cidade. Ele conhece as políticas públicas, fez parte da minha equipe, é um cara que me representa enquanto guardião do erário público. Se a população vinculou a imagem do Gabriel ao prefeito Zera aí e uma interpretação de cada um.

A minha interpretação, isso é incorreto vincular. Diziam que o PP fez mal ao município, que o prefeito Zera também. Isso para mim não importa. O que importa era o homem Gabriel colocado à disposição da população a fazer política descente. O rótulo do PP daquilo que ficou para trás não importa. Eu olho para frente.

Olha o que escolheu Joinville. Escolheu um Jovem desconhecido, apostou na juventude. Você já viu uma corrida de 100 metros pessoas acima de 30 anos. O que se coloca para uma competição do voto são pessoas boas, capazes, e que tenham energia para poder realizar, então escolhemos o Gabriel. E o Gabriel no meu ponto de vista era o novo. Talvez não tenha sido certo o melhor partido para ele poder ter sido candidato. Acredito que se ele tivesse ido para qualquer outro partido ele tinha sido eleito.



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